quinta-feira, 14 de junho de 2012

Rir com o rio

Rio também é uma conjugação do verbo rir e sempre me pareceu uma palavrinha muito poética. Suas cores, azul, verde, vermelho e tantas outras que nem sei, pode remeter à concomitância entre ser constante e diverso ao mesmo tempo. O rio corre como o tempo, como o tempo ele às vezes para ou termina. Nesses dias de Rio+20 as pessoas parecem se dividir entre aquelas que gostam ou gostariam de conviver com os rios, banhar, pescar, admirar, refletir e aquelas para as quais o rio é indiferente desde que a companhia de água não interrompa sua distribuição e não cobre muito caro. Nisso, defender o rio parece um romantismo tolo e inconsequente, mas vale lembrar que o rio é um bem comum das pessoas e não é mais aceitável que alguns poucos se apropriem e destruam o que é nosso. Reconstruir a ideia de que a humanidade é mais importante que a lógica do sistema capitalista é mudar o curso do rio e nos reconciliar com ele.

terça-feira, 12 de junho de 2012

João e Chico

Cantar a beleza da vida é algo que a MPB faz majestosamente. Adoro a nossa música e dentre os artistas que admiro nessa seara está João Bosco, sua carreira completa 40 anos e ele será homenageado num prêmio de música nesses dias. Quem dera mais pessoas se permitissem ouvir algo tão gostoso. Que tal uma volta? Pode ir tranquilo que o tempo está bom!


domingo, 10 de junho de 2012

Fazer turismo grosso modo é consumir com os sentidos, consumimos paisagens paradisíacas, sabores locais, lençóis de hotéis, ares, águas, músicas e mercadorias a perder de vista, enfim... no Brasil o turismo é embalado pela natureza ou seria a natureza embalada para o turista? Seja qual for a ordem essa é uma boa descrição do que é ir na Praia de Pipa/RN. É bem bonito lá mas como todo turista mal tive tempo de olhar pra tanta oferta, quem sabe num pacote maior?

O sensacionalismo e... quem tem razão?

Será que o sensacionalismo da tv é o pior inimigo do pensamento? Ver na tv é o contrário de saber?
Pra amenizar a dor na consciência de estar assistindo tv num domingo à noite, resolvi passar
aqui e registrar... as oito coisas nas quais eu fico pensando depois de assitir tv

- que a prostituição é uma forma de exploração que certamente maltrata muito o ser que foi feito mercadoria;
- que a mulher que se prostituiu será marcada por um profundo estigma enquanto os "consumidores" saem quase ilesos moralmente;
- que boa parte dos telespectadores acham que uma mulher pobre casa com um homem milionário em troca de dinheiro e não se perguntam com que interesse um homem milionário casa com uma mulher pobre;
- que o desarmamento é urgente e necessário (inclusive o desarmamento da indústria cultural com seus exterminadores, suas tropas de elite e seus velozes e furiosos)
- que sexo, dinheiro e violência é um prato cheio para os telejornais;
- que a televisão ainda defende nas suas "matérias" que o crime é algo inato;
- que a fala dos advogados demonstra como a justiça brasileira trabalha sobre bases extremamente tradicionalistas;
- que a família, essa instituição social quase "divina", muitas vezes é o lugar do conflito e da violência;

se formular mais alguma volto aqui!

sábado, 2 de junho de 2012

A Hora da Estrela, vale a pena ver e mais ainda ler essa obra de sensibilidade e delicadeza. Afinal, quem não já se perguntou como Macabéa: - Eu sou eu? Revi o filme de 1985 dirigido por Suzana Amaral e é sempre comovente ver essa personagem investida de tanto drama contido e que só no fim se revela, mesmo que num final reinventado, concordando com Cecília Meireles quando diz que a vida só é possível reinventada. Macabéa é nossa Amelie Poulain "nortista" desprovida até do charme do cenário, já que o Rio onde ela circula só tem como atrações descampados, marquises e animais em zoológicos. Por mais simplória que seja, a personagem tem os mesmos desejos da maioria dos mortais, simplórios ou não, ser reconhecida e amada. Entonces, esse texto, como todo clássico, merece muitas voltas!




Inaugurando o tapete vermelho, trago um excelente filme, o mais querido dentre os que vi nos últimos anos, "La graine et le mulet" é o título original em francês. "O segredo do grão" mostra um pouco da vivência de imigrantes na França, passando pelas questões do desemprego, das relações familiares e da amizade. O final é fantástico! Até a volta!
Tarde de sábado, inicio da escrita nesse espaço. Escrever pra mim sempre evidencia um momento de crise, no entanto é reconfortante perceber que a crise produz coisas boas. Nas minhas crises pretendo trazer aqui pequenos textos sobre cinema, música, política e outras tantas humanidades. Até a volta!